curva do esquecimento, apagando o cérebro, perder memória
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A Curva do Esquecimento é um conceito criado no século XIX pelo psicólogo, pedagogo e professor universitário alemão Hermann Ebbinghaus. Por meio de testes de inteligência, ele desenvolveu teses e investigações a respeito da memória humana.

Dessa forma, esses estudos focaram no armazenamento da memória e em seu tempo de duração. Também estudou se há facilidade ou não dos humanos em recuperar a memória, sejam de longa ou curta duração.


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Com seus estudos, Ebbinghaus desenvolveu diversas teorias, como a da curva de aprendizado, efeito de espaçamento. Mas a sua maior descoberta foi sobre a Curva do Esquecimento, uma tese que postula a quantidade de informações que o cérebro retém ao longo do tempo.

Portanto, entender a Curva do Esquecimento e saber como driblá-la é essencial para os estudantes. Principalmente para aqueles que estão prestando provas de vestibulares e concursos públicos. Já que o conteúdo das provas é composto por muita informação.

No entanto, não se apavore! Saiba que é completamente normal o processo de esquecimento e de não se lembrar de tudo. Continue com a leitura desse artigo para compreender mais sobre a Curva do Esquecimento e seu funcionamento.

A história da Curva do Esquecimento

Hermann Ebbinghaus
Hermann Ebbinghaus

O primeiro passa para compreender mais sobre a Curva do Esquecimento é olhar para a sua história. No período entre 1880 a 1885, Ebbinghaus conduziu um estudo no qual testou sua própria memória durante vários períodos de tempo.

Dessa forma, em 1885 ele publicou sua hipótese, que foi considerada incompleta, com o nome em alemão de Über das Gedächtnis. Que em língua inglesa foi traduzida como Memory: A Contribution to Experimental Psychology.

Nesse estudo empírico, Ebbinghaus estudou a memorização de uma lista de sílabas que não possuem sentido ou significado. E em sua maioria eram constituídas por três letras, sendo duas consoantes com uma vogal ao meio, como “WID”, “BIC”, “QAX” e “ZOF”.

Assim, o psicólogo alemão escolheu essas palavras sem sentido pois é mais difícil memorizar uma informação assim do que algo que você consegue assimilar com o que está em sua memória.

Com isso, Ebbinghaus testou repetidamente sua memória e como ela funcionava após diversificados períodos de tempo. Dessa forma, ele registrou todos os resultados e com eles construiu um gráfico, esse que é chamado de Curva do Esquecimento.

Como interpretar o gráfico da Curva do Esquecimento?

O gráfico da Curva do Esquecimento ilustra que quando você aprende algo pela primeira vez, a informação desaparece gradativamente. Isso é, você esquece a maior parte da informação nos primeiros dias até chegar uma taxa de menos de 5% de memorização.

Por exemplo, ao aprender um novo conhecimento, no momento, o aluno possuirá 100% de retenção. No entanto, no mesmo dia, essa taxa de retenção cairá para 75% de memória sobre o que foi aprendido.

Já após 24 horas, conseguimos lembrar apenas de 50% a 35% da informação, porcentagem que varia de acordo com a densidade e as conexões feitas com conhecimentos prévios. E essa porcentagem cai drasticamente após um mês, sendo a memória do conteúdo de 3% a 5% apenas.

Portanto, a Curva do Esquecimento mostra os resultados do estudo de Ebbinghaus em relação ao declínio de qualquer informação na memória humana. Ou seja, qual a velocidade e porcentagem de esquecimento de uma informação depois de ser aprendida.

Por meio da Curva do Esquecimento, o psicólogo alemão mostrou que a velocidade que o esquecimento ocorre depende de alguns fatores. Entre eles estão a forma em que o conteúdo é aprendido e fatores internos e externos das pessoas.

Também, Ebbinghaus afirma que a taxa de esquecimento, sua velocidade e porcentagem variam entre os indivíduos. E isso por conta dos fatores vistos acima. No entanto, é por meio de treinamentos básicos, como a repetição, que a força da memória será aumentada.

As grandes descobertas a partir do estudo de Ebbinghaus

A partir do estudo de Hermann Ebbinghaus, ele descobriu diversos aspectos da memória por meio das suas experiências e dos resultados obtidos. Dessa forma, pode-se afirmar que:

  • As memórias vão se perdendo com o tempo: A partir do momento em que aprendemos algo novo mas, não relembrarmos constantemente desse conteúdo, ele irá se dissipando com o passar das horas, dias e semanas.
  • Há uma queda acentuada na memória logo após a aprendizagem do conteúdo: Ao aprender algo novo, se ele não é revisado ou reforçado, drasticamente nos primeiros dias ou até mesmo nas primeiras horas você reterá pouco dessa nova informação em seu cérebro.
  • É mais fácil lembrar do que possui um significado ou conseguimos fazer associações: Em seu próprio experimento, Ebbinghaus tentou memorizar palavras sem sentido e sem significado. Dessa forma, assuntos desinteressantes ou que não prestamos atenção são esquecidos de maneira muito mais rápida do que outros.
  • O modo de aprendizado impacta diretamente sua memorização: A comunicação é a chave de tudo. Ou seja, se você aprende algo com entusiasmo ou fazendo associações, você demorará mais para esquecer de algo, principalmente se comparar com algum conteúdo que você aprender de forma mecânica ou obrigado a aprender.
  • O seu psicológico e físico influencia na aprendizagem: Não só na aprendizagem, mas uma boa noite de sono ajuda o cérebro em armazenar as informações. Além disso, outros fatores como estresse e cansaço também impactam negativamente na memorização de conteúdo.

Portanto, há diversas explicações sobre o motivo pelo qual nosso cérebro armazena por um tempo curto as informações em sua totalidade. E todas essas explicações foram alcançadas por Hermann Ebbinghaus.

A formação da memória e o processo de memorização

Sempre quando aprendemos um novo conteúdo, em nosso cérebro se forma uma memória. Isso é, a memória é uma das várias funções mentais que acompanham o processo da aquisição de conhecimento.

Assim, a memória começa sua formação no exterior dos seres humanos por meio dos órgãos sensoriais. No caso dos estudos, a visão e a audição são as primeiras a receber os estímulos que criam as memórias. Por isso, a memória se inicia com a visão e com a audição de cada um.

Dessa forma, é na memória humana que o processo de memorização se constrói e se conclui. Ele é complexo e engloba inúmeras áreas do cérebro para formar impressões nas variadas partes desse órgão que se unem para formar um único pensamento.

É no cérebro que são armazenadas todas as memórias e ocorre o processo de memorização. Assim, nesse órgão, tanto as informações de longo e de curto prazo se armazenam, sendo esse o primeiro passo da memorização que é conhecido como retenção da informação.

Com a informação retida no cérebro, a memorização alcança sua segunda etapa que é se lembrar do conhecimento adquirido. E é nessa etapa em que a Curva do Esquecimento atua e nos mostra como o esquecimento dos conhecimentos funciona.

Portanto, as memórias precisam ser de longo prazo e não de curto prazo. Afinal, as memórias de curto prazo são aquelas de segundos que precisam se unir para formar as memórias de longo prazo que são a base do processo de aprendizagem.

Por isso, para driblar a Curva do Esquecimento as memórias de curto prazo precisam se transformar em memórias de longo prazo. De maneira que palavras se transformem em conceitos e esses fiquem fixos em nossas mentes.

Aumente a sua memória

Hermann Ebbinghaus mostrou como os aspectos físicos e emocionais, além da associação, são essenciais para retardar o esquecimento.

Associar o conteúdo aprendido com outros conteúdos ou com imagens e cores auxilia em fazer com que a memória se torne de longo prazo.

Além disso, é essencial que as pessoas cuidem da sua saúde e dos estímulos externos para aumentar a memória, assim como possuírem motivação. Qualquer problema como estresse, ansiedade ou cansaço impacta em qualquer processo cognitivo.

Perda de memória
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Portanto, para aumentar a memória é essencial se cuidar de modo a estar em plena saúde física e mental e treinar sua mente. Tudo isso estimulará positivamente as conexões cerebrais que atuam no processo de memorização.

O processo de memorização

O processo de memorização é essencial para todo estudante, pois é esse processo que armazenará e manterá as informações. Dessa forma, para ele acontecer de forma eficaz são necessárias quatro fases.

  • Atenção: Para conseguir se atentar e registrar o conhecimento na memória, o estudante precisa de concentração para se atentar às novas informações. E, consequentemente, absorvê-las.
  • Compreensão: Após compreender o assunto, por meio da atenção, o estudante assimilará e entenderá os conceitos da informação. Desse modo, isso significa que a informação se tornou significativa para o cérebro e se tornará uma memória de longa duração.
  • Armazenamento: Mesmo que o cérebro possua funcionalidades desconhecidas, sua capacidade de armazenamento é limitada. Portanto, muitos conhecimentos quando não são utilizados e relembrados acabam se perdendo ou se fragmentando em nossa memória. Assim, é a fase do armazenamento que garantirá que certa informação ficará guardada no cérebro humano, mesmo após um período de tempo.
  • Recuperação: A última etapa é aquela que significa que mesmo que não nos lembramos de algo no momento, é possível acessar e recuperar essa informação. E isso para utilizá-la quando for pertinente e necessário, no entanto isso só acontecerá quando essa informação for uma memória de longo prazo e fazemos associações para recordar dela.

Portanto, o processo de memorização funcionará plenamente quando passar com sucesso por esses quatro fatores.

Como evitar o esquecimento e aumentar a memorização?

O esquecimento acontece quando uma memória construída sobre uma informação se fragmenta. Por isso, ao tentar recuperar essa memória, a pessoa não conseguirá lembrá-la em sua totalidade, apenas de algumas poucas partes.

Portanto, o esquecimento é um processo natural e inevitável, afinal é impossível nos lembrarmos de absolutamente tudo com todos os detalhes. No entanto, é possível evitar o esquecimento e aumentar a memorização, transformando as memórias em longo prazo.

Dessa forma, o que auxiliará em retardar o esquecimento é a repetição. Ou seja, não basta aprender algo e nunca mais ver esse assunto, você precisa revisá-lo por um período de tempo. De maneira que utilizará o princípio da Repetição Espaçada.

Utilize a Repetição Espaçada

O sistema de Repetição Espaçada baseia-se na Curva do Esquecimento e nos estudos de Ebbinghaus. Portanto, esse método de memorização, considerado um dos mais eficientes, postula que uma informação deve sempre ser revisada para se manter em nossa memória.

Dessa forma, a descoberta mais importante do alemão mostra que, ao revisar novas informações em momentos da Curva do Esquecimento, você pode reduzir a taxa de esquecimento.

Assim, há momentos ideais em que a Repetição Espaçada deve ser aplicada para aumentar a memorização e evitar o esquecimento. E esse momento não é nem logo em seguida da aprendizagem, mas também nem muito após.

Ou seja, o melhor momento para aplicar o sistema da Repetição Espaçada e revisar um conteúdo é quando o estudante sentir que está esquecendo a informação aprendida. No entanto, como prever esse momento? E essa pergunta é difícil de se responder.

Afinal, cada pessoa tem o seu momento de esquecimento. Para uns pode ser depois de horas, já para outros depois de dias ou de semanas.

Portanto, a regular revisão das informações interrompem a Curva de Esquecimento. E, embora o esquecimento comece novamente depois de cada revisão, ele será mais lento do que antes. Com isso, o espaçamento entre as revisões se tornarão maiores com o passar do tempo.

Isso é, revisar informações e conteúdos em momentos estratégicos depois que você aprendeu pela primeira vez, esticará sua memória. De maneira que irá fortalecer as memórias codificadas em seu cérebro.

Uma das maneiras de aplicar a Repetição Espaçada em seus estudos é por meio dos Flashcards. Ou seja, um método de revisão que utiliza cartões com perguntas e respostas para que os estudantes respondam as perguntas e depois confirme as respostas.

Os melhores momentos para praticar a Repetição Espaçada

O esquecimento é um processo natural e cada um possui um momento ideal para aplicar a Repetição Espaçada. Confira os 5 momentos de revisão.

  • Primeira revisão (revisão imediata): No primeiro dia de aprendizagem, já perdemos parte da nossa memória sobre o assunto. Dessa forma, recomenda-se uma revisão no mesmo dia em que se aprende o conteúdo. E essa revisão pode ser logo após adquirir o novo conhecimento por apenas 5 ou 10 minutos. O que fará com que a taxa de retenção do conteúdo fique acima de 90%.
  • Segunda revisão (um dia após a aprendizagem): Após a revisão imediata, o estudante precisará revisar novamente o conteúdo após 24 horas. E tudo isso para que esse conhecimento se fixe e se torne uma memória de longo prazo. Dessa forma, essa revisão pode ser feita em menos de 10 minutos.
  • Terceira revisão (Uma semana depois da aprendizagem): Depois de uma semana, sem nenhuma revisão, o estudante conseguirá se lembrar apenas de 10% a 20% do conhecimento adquirido. Portanto, recordar o conteúdo por apenas 5 minutos depois de uma semana e de duas revisões, continuará a manter a taxa de retenção dele acima de 90%;
  • Quarta revisão (Depois de um mês da aquisição do conhecimento): Com as revisões anteriores, o conhecimento já estará fixado na memória e se transformado em uma memória de longo prazo. Portanto, a quarta revisão tem como objetivo manter esse conhecimento fixado na mente do estudante. De modo que você utilizará menos de 5 minutos para relembrar a informação.
  • Quinta e próximas revisões (De 30 em 30 dias): Mesmo que a informação tenha se tornado uma memória de longo prazo, você sempre precisará relembrá-la para ela não cair no esquecimento. Portanto, recomenda-se que o estudante realize revisões de 30 em 30 dias por poucos minutos para preservar o conhecimento.

Outras formas de combater a Curva do Esquecimento

Ebbinghaus também apresentou outras formas de driblar a Curva do Esquecimento e deixar as memórias em longo prazo.

Treine seu cérebro regularmente

Pela Repetição Espaçada, você já estará treinando seu cérebro para guardar um conhecimento. No entanto, outras formas de treinamento para o cérebro como testes de memória ou jogos como Sudoku tornarão a memória, em geral, mais forte.

Portanto, sempre treine seu cérebro para reduzir a taxa de declínio da perda de memórias. De maneira que isso manterá seu cérebro ativo e forte para solidificar as informações.

Torne a informação mais clara, interativa e relevante

Muitas vezes temos obrigação de aprender um assunto sem possuirmos interesse nele. Assim, ele será fragmentado e esquecido muito mais rápido do que outros assuntos.

Desse modo, os estudantes precisam tornar as informações mais fáceis de absorver para não esquecer seu significado. Para isso, o aluno pode inserir esse assunto no que ele gosta: desenhar, criar uma história, um vídeo ou o que ele quiser para aprender o conteúdo de uma forma mais prazerosa.

desenhando, pintando, escrevendo, cantando

Com isso, essa informação se tornará mais clara, interativa e relevante de maneira que ela se fixará melhor. Além de manter o aluno mais concentrado, envolvido e, até mesmo, desfrutar dessa aprendizagem.

Aplique o Overlearn

Outra estratégia de aprendizagem explorada por Ebbinghaus em seus estudos foi o Overlearn, que em português significa “aprendizado excessivo”. Para o psicólogo alemão, quanto mais o estudante aprender, melhor.

Ou seja, esse método foca mais na quantidade de esforço usada na aprendizagem do que na qualidade. Portanto, para Ebbinghaus o estudante deve passar por horas estudando um assunto sem pausa.

O estudioso descobriu usar esse método diminuiu a queda acentuada presente na Curva de Esquecimento. Dessa forma, usar certas estratégias de memória melhora as chances de reter até mesmo informações difíceis de aprender.

No entanto, você deve aplicar o Overlearn com cuidado, pois muito tempo e esforço pode gerar o efeito contrário. Isso é, o estudante se sobrecarregará e acabará esquecendo mais rápido o conteúdo.

Pratique atividades físicas

Praticar atividades físicas auxilia as pessoas a melhorar o sono e a retardar a Curva do Esquecimento. Por isso é essencial que o estudante organize uma rotina de atividades físicas para melhorar sua saúde e bem-estar.

E tudo isso para alcançar mais qualidade de vida. Além de ajudar no processo de memorização e sedimentação da aprendizagem.

Tenha um sono adequado

Dormir mal ou possuir um sono fragmentado pode ser completamente prejudicial à saúde. Afinal, o metabolismo humano, assim como o cérebro, precisa de descanso. E tudo isso para consolidar aprendizados, regenerar traumas e fazer uma “limpeza” no que o cérebro considera desnecessário.

Portanto, é um fato que as condições físicas e psicológicas interferem na Curva do Esquecimento. Por isso, é essencial uma boa noite de sono.

Tenha organização e crie um cronograma de estudos

Tanto a aprendizagem quanto os métodos de estudos requerem concentração e disciplina. Portanto, para ajudar no estimulo de reter o conhecimento por meio da prática é essencial criar um cronograma de estudos. Principalmente que ele contenha exercícios para revisão e fixação.

O esquecimento é um processo natural

Com o passar dos anos, alguns aspectos da memória dos seres humanos podem mudar conforme esses vão envelhecendo. Ou seja, a cada ano que passa a memória de curto prazo tende a ficar mais fraca e, com isso, torna-se mais difícil de aprender e memorizar novos assuntos.

É claro que, além do envelhecimento, há alguns fatores físicos e mentais que impactam em como alguém aprende e memoriza. Portanto, se você considera alarmante a sua memorização, ou a falta dela, sempre procure um profissional da saúde.

No entanto, é por meio dos estudos de Ebbinghaus e da Curva do Esquecimento que descobrimos estratégias que auxiliam a manter a memória. Além de fortifica-la com o passar do tempo.

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Carioca, estudante de Direito, servidora pública e apaixonada por vídeo games, tecnologia e cultura pop em geral. Tenho como hobbies consumir e produzir conteúdos relacionados a esses temas que me interessam, e adoro passar horas adquirindo conhecimento sobre os assuntos que mais gosto, tanto que mantenho um canal no Youtube sobre games há 4 anos. Meu contato com inglês vem de longa data, quando notei que para ter acesso a todo um universo de informações, dominar a língua era fundamental.

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